Dora Paula Paes
O maior presente da vida da jovem Bruna Freitas Igino, 28 anos, mãe de duas meninas, Tainá de 11 anos, Layra de 2 anos e grávida de cinco meses, recebeu no dia 24 de novembro de 2011. "Nesse dia, minha vida mudou, chorei uma semana. Me sinto de outra classe, posso pensar em comprar coisas, o que antes não era possível, tudo era vergonha", conta emocionada. Ela não ganhou na loteria, mas adianta que ganhou vida nova ao receber as chaves da casa do programa Morar Feliz, no Novo Eldorado. Bruna é uma das 3.850 famílias que receberam casas no atual governo, onde 90% dessas famílias ganham entre um e um salário e meio — até R$ 950 —, incluídos no que se chama de classe socioeconômica "C". Com base em dados do Centro de Informação e Dados de Campos (Cidac), Campos é um município de Classe "B", com 66% da população com renda mensal de até três salários mínimos.
A jovem não sabe o que é divisão de classe. Mas, na última terça-feira abriu a porta da nova casa no Eldorado para a equipe da Folha. Alegre posou para foto, fez pose de "madame", usou a melhor roupa, arrumou os cabelos e com um brilho no olhar, contou sonhos, falou do que conseguiu em um mês na casa nova e do que ainda pretende comprar.
Logo depois, não se importou de pegar a chave da antiga moradia e atravessar praticamente a cidade para mostrar o local onde vivia. Ao abrir a porta, não conteve lágrimas, não tinha o que falar, o sentimento de "muita vergonha", já não existe mais.